Mar...

Natalia Vieira

 

 

Afagou os meus pés,
cuidadosamente,
Tocou nas minhas mãos
com ternura,
Murmurou baixinho
no meu ouvido:
"Vim visitar-te!"
Sorri...
O meu coração doía,
Mas não o queria preocupar.
Sorriu também,
e começou a cantarolar.
Sentia que ele estava muito feliz.
Queria desabafar as minhas mágoas...
Queria contar-lhe os meus longos dias...
Queria abraçar-lhe,
e chorar nos seus fortes braços...
Mas... não podia!
Temia torná-lo triste.
Sugaria para dentro do meu ser,
Toda aquela força,
Aquela alegria.
Tempo depois,
Viu-o partir.
Voltava para as suas longas viagens.
Voltava para o seu destino.
E eu,
Aguardarei com ansiedade
a sua vinda,
o seu retorno.
Ansiarei o seu perfume,
o seu sorriso.
Um dia, talvez,
Volte a vê-lo,
nas pedras esquecidas da praia
brincar.
Um dia, talvez,
Possa agarrar na sua mão,
E com ele partir.
Para um além distante,
Para não mais voltar.