Mamães de Gravata

             Sandra Mamede

 

 

 

 

 

 

   

"Dia dos Pais", seria redundância minha,  falar que é simplesmente um dia comercial. Bom para o comércio e para a economia do país, assim como tantos outros dias determinados pela simples marcação de uma data.
Queria nessa minha  crônica  falar das "mamães de gravata", esse foi o título usado por Ronnie Von no seu livro, quando explica que teve de criar seus dois filhos sozinhos sem a presença  da mãe.
Eu empregaria esse termo também "mamães de gravata", àquelas mulheres que por alguma razão, ou porque foram abandonadas, ou porque ficaram viúvas, ou pela famosa "produção independente" ou seja por opção, tiveram que assumir e criarem seus filhos, sozinhas, sem um pai.
Mulheres que assumiram papéis de mãe e de pai ao mesmo tempo, sofrendo preconceito e discriminação. Mulheres que renunciaram à sua vida em prol da vida de seus filhos, para educá-los, criá-los e sustentá-los. Essas mulheres podem ser consideradas verdadeiras heroínas. Algumas conseguiram conciliar à sua vida pessoal à criação dos filhos e dessa maneira reconstruíram a sua vida sem renunciar bruscamente a sua satisfação pessoal. Outras , no entanto, por dificuldade ou por opção, dedicaram toda a sua vida a criação dos filhos, renunciando a tudo. Essas mulheres merecem todo o nosso respeito e admiração e muito mais ainda  a dos seus filhos que acompanharam de perto a sua luta e o seu sofrimento.
Eu não sei se o apelido certo para essas mães seria "mamães de gravata", ou se seria melhor "papais de saia". O que sei  é que elas, assim como os pais, também merecem uma homenagem dupla pelo papel que desempenham na sociedade.