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Eu
estava esperando alguém e já fazia algum tempo.
Assim, fiquei observando tudo à minha volta.Uma
senhora mal vestida, gorda e grisalha veio se
aproximando. Trazia na mão um balde com água,
esponja e sabão. Parou na esquina e ficou
observando o muro.
Nele estava escrita uma mensagem que dizia: "Que
os sonhos de paz se aninhem no coração dos
homens. "Para ilustrá-la foram desenhados
pássaros voando e um ninho cheio deles. No alto,
num cantinho, havia a assinatura do pintor:
Pomini.
A mulher continuava observando aquele muro.
Olhava como se procurasse algo. Passou por ela
um mendigo; trocaram idéias e ela continuou
observando o muro com muita ansiedade.
De repente, como quem toma uma decisão
definitiva, começou a esfregar o nome do pintor
com bastante força. A espuma era abundante e as
letras desapareceram. Pude ver em seu rosto
sinais de vitória. Estava atacando o inimigo.
Na minha ignorância do que se passava, pensei:
"Talvez esse pintor seja inimigo dela." A
mulher, então, jogou água e o nome "Pomini"
apareceu bem legível. A tinta era poderosa e não
saía à toa. A mulher se desesperou.
Não agüentei. Atravessei a rua e fui falar com
ela. "Por que a senhora quer apagar este nome?"
"É que a mocinha da casa onde trabalho me mandou
apagar uma declaração de amor que escreveram
para ela: "Eu te amo" e ela não quer."
"Mas aí não está escrito eu te amo. É o nome do
pintor." -eu expliquei, tentando ajudar.
A mulher nada disse. Teve vergonha de dizer-me
que era analfabeta, como vergonha maior tivera
de dizer à patroazinha.
Foi por isso que saiu procurando a esmo, em meio
a tantas letras, algo que pudesse ser "Eu te
amo."
Olhei em volta e logo adiante estava escrita em
letras enormes a tal declaração. Eu então a
aconselhei: "Água e sabão não vão apagar."
De fato, água e sabão nunca iriam apagar aquele
amor, se a tal declaração tivesse sido sincera e
nem a mágoa, se, por ventura, fosse um amor não
correspondido.
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