Minhas Avós

   Sandra Mamede
 

 

 

Tive muitas avós. Tive a minha querida voinha biológica, a famosa D. Pequena, que apesar de muito pequena na estatura, era de uma firmeza e de uma decisão de fazer inveja a qualquer um. Mas também tive as que por opção eu considerava como avós também, pelo afeto e pela atenção que me davam. Tive a minha querida ama de leite, chamada Dona Fulô, que eu amava de paixão e que eu vivia fugindo de casa pelos fundos para correr para o seu colo, mesmo quando minha mãe proibia, pois era lá na casa dela que eu me enchia de guloseimas e principalmente de pipoca, não essa pipoca de micro ondas, mas aquela pipoca verdadeira, torrada na areia, numa panela de barro... minha vó Fulô me acompanhou durante muitos anos, mudou-se para uma outra rua, mas ia sempre vê-la.
Minha vó Rosinha, era uma mulher muito miúda, pequenininha, magrinha, com uns cabelos que passavam da cintura, era o braço direito de minha mãe, sempre fazia todas as minhas vontades, é claro que muitas vezes às escondidas....
Não poderia deixar de falar em minha vó América, uma negra alta, forte, casada com "Seu Gregório", mulher firme, decidida, tinha um sinal branco no nariz, parecendo um mapa, uma coisa bastante atípica. Costumávamos sentar todas as noites no passeio  da casa, ela no centro nos contando casos e histórias. Lembro que ela morava numa casa ainda com o teto forrado por palha de coqueiro seca e as paredes de "taipa", uma casa simples, aconchegante e confortável.
Tive uma infância maravilhosa, brinquei de tudo e sempre tive pessoas maravilhosas ao meu lado me protegendo e me dando muito carinho. Meus filhos não tiveram muito tempo de curtirem suas "voinhas", mas tiveram duas "vós" maravilhosas.
Vó Milú (minha mãe), que sempre esteve presente na vida deles, que além de vó também fazia o papel de mãe, pois eu trabalhava e fazia faculdade e era com ela que eles ficavam, durante muito tempo foi mais mãe deles do que eu, já se passaram 3 anos que ela se foi, mas é muito lembrada e falada pelos meus filhos.
A outra vó querida  (minha sogra), vó Bi, parecia mais uma menina, sempre brincalhona e participante, uma excelente costureira e também uma companheira excepcional nos passeios.
Ainda não sou  avó, mas espero em Deus, que eu possa ser um pouco de cada uma dessas, pois se conseguir, tenho certeza que serei uma ótima avó.