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Carnaval
saudade
Sandra
Mamede
Apesar de
nunca ter participado de carnavais, tenho algumas boas
lembranças de meu tempo de criança em relação ao carnaval.
Naquela época o carnaval começava exatamente no
domingo, até então a vida transcorria normalmente, ao
contrário de hoje que o carnaval começa na quarta e se
prolonga até a quarta feira de cinzas, causando
verdadeira revolta a Igreja Católica.
No domingo costumava ficar na porta juntamente com as
outras crianças, armada de lança-perfumes (aquelas
plásticas), cheinhas de água, confetes e serpentinas
,vendo as famosas "caretas" passarem, de todos os tipos,
algumas paravam e brincavam, falavam conosco e outras
passavam direto mas corríamos atrás até conseguir um
pouquinho de atenção.
Mas a
minha paixão era os pierrots, sempre presentes, nos
bailes, nas ruas, em todos os lugares onde tivesse
carnaval eles estavam presentes, desde os mais simples
aos mais sofisticados, coloridos, parecia que flutuavam,
ficava fascinada com a combinação de cores, o movimento
que o cetim fazia a cada gesto , os guizos fazendo
aquele barulhinho a qualquer movimento, eram lindos!!!
No
centro as famosas marchinhas, arrastavam as famílias,
mas tudo com muito controle. Algumas escolas desfilavam
seus carros alegóricos, poucos, mas interessantes, pois
aqui em Salvador nunca houve uma grande preocupação com
esse tipo de desfile, pois aqui sempre predominou o
famoso "carnaval de rua" ligados diretamente aos "trios
elétricos".
Hoje o
carnaval mudou muito, continua belo, mas se tornou antes
de tudo um comércio, uma máquina de fabricar dinheiro,
com sua infinidade de blocos, cada um com o seu trio
próprio, numa disputa permanente de watts. Com isso já
não existe aquela integração e sim uma separação e uma
certa discriminação, pois aqueles que podem, pagam. e
saem em blocos, com toda segurança e uma infra-estrutura
perfeita, desde assistência médica a serviço de bar com
garçons que circulam durante todo o percurso servindo
aos associados. Infelizmente os que não podem pagar, não
fazem parte de nenhum bloco, são os chamados de
"pipocas", pois não têm vínculo com nenhum bloco. Tudo
isso forma um espetáculo de grande beleza, pois em
nenhum lugar do mundo o povo tem acesso direto aos seus
ídolos assim tão de perto, sem precisar pagar
absolutamente nada.
Falo
do carnaval de Salvador, falado e visto praticamente em
todo o mundo (será exagero falar assim?!...) Eu como
"soteropolitana" (quem nasce em Salvador), muito
orgulhosa da minha terra, que acho simplesmente linda,
não sei se conseguiria viver em outro lugar!, mas no
carnaval onde pessoas de todo o mundo fogem para aqui,
eu como péssima foliona e contrária ao
carnaval... simplesmente... fujo daqui!!!
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