- Carnaval -

Uma festa para poucos

Pedro Cardoso

 

 

O Brasil é o país do futebol, mas aqui tudo é motivo de folia, até enterro de cachorro de madame merece comemoração. Por falar em festa, está chegando o carnaval. Espero que o governo já tenha iniciado os preparativos para a distribuição do Vale-Camisinha. Essa campanha, como nos anos anteriores, é de fundamental importância para o bem da nossa juventude. Só não concordo com a escolha da cantora Kelly Key para a propaganda na televisão – com certeza uma bela representante do s(ex)o frágil - porém um mau exemplo para os jovens iniciantes. Ela vai tentar convencê-los com aquela voz adocicada: "sem camisinha...? Baba, baba baby"! E os meninos haverão de perguntar com voz grossa e máscula:

__ Por que você não usou preservativo quando foi a sua vez?!

Mas o importante é o carnaval que está chegando, um acontecimento monumental que no passado foi popular. Hoje temos nas escolas de samba uma grande quantidade de pessoas de olhos puxados e cabelos claros. Esses, estão aos pouco, substituindo os negros de cabelo duro, os verdadeiros sambistas que cantavam: "esse ano não vai ser igual àquele que passou". Com certeza não vai mesmo, pois, conforme noticiam os jornais, já se padece com a falta de silicone no mercado, justo esse material que devolve às mulheres a auto-estima e a beleza que lhes é peculiar. Muitas não vão poder sair como gostariam, devido a essa escassez.                          .

Sabe Deus como é bom ouvir, nesta época do ano, Chiquinha Gonzaga cantando: "oh, abre alas que eu quero passar". Já estou tentando adivinhar quais serão as musas deste carnaval 2003. Pelo menos L(uma) já disse que vai sair na Unidos do Vira(d)ouro. Para ela o silicone nunca foi problema... Nem tão pouco o ouro. Uma mulher altamente beneficiada pela mãe natureza, em todos os sentidos. Por isso, deveria pagar mais Imposto de Renda, ao invés de ficar subsidiando políticos em campanhas eleitorais.                                 .                  

Essa conversa toda me fez voltar à memória o caso de uma amiga poetisa de peso, que tem na sua certidão de nascimento o nome de uma deusa. Lembrei-me dela por sua adoração aos políticos. Ela tem o costume de dizer que: "político é um adereço tipo "modess"... Serve pra designar tudo quanto é tapa-buraco". Sempre concordei com sua afirmação, não porque não goste de deles, mas porque eles absorvem tudo com a maior facilidade. Não existe nenhum outro absorvente mais eficaz no mercado tradicional e, muito menos no clandestino, que possa substituir esses "cidadãos". A diferença é que eles não são descartáveis... Infelizmente.                      .

Depois desse blá-blá-blá, já estou até pensando em mudar de idéia; acho que o melhor mesmo é ouvir a loura cantando: Baba, baba baby, baba! Quanto às camisinhas, acredito que o governo deva comprar as japonesas que são as mais econômicas. Isso sem falar que são mais higiênicas do que as cabeças "eleitas", que andam tão sujas quanto fraldas em bunda de baby.




 

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