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Neste
período do Carnaval, a programação está toda voltada
para a folia momesca, escolha do Rei Momo, da Rainha
do Carnaval, as mudanças que ocorrem na cidade,
entrevistas com visitantes de outros estados, o que
esperam do Carnaval, e quando termina a folia, eles
são obrigados a deixarem registrados as suas
opiniões, as suas reclamações e uma pergunta não
pode deixar nunca de ser feita, apesar de ser para
alguns, um pouco constrangedor respondê-la:encontrou
um amor especial no Carnaval? vai permanecer ou foi
somente um amor de Carnaval? amor de carnaval dá,
certo?
Alguns
desconversam, outros dizem que só "ficaram", outros
ainda se dizem apaixonados, e ainda têm os mais
radicais que nem voltam mais para casa...
Nesta
confusão de entrevistados uma mulata muito linda diz
que o Carnaval foi muito bom para ela e mostra o
homem que está ao seu lado, como seu marido, foi um
amor de Carnaval!!!
Coincidentemente um fato desse aconteceu na minha
família. Minha mãe tinha um irmão de "consideração"
(não era irmão biológico), era bombeiro e tinha 8
filhos, 4 homens e 4 mulheres. Como o salário de
bombeiro era muito pouco, sua esposa não trabalhava
e seus filhos ainda eram menores, ele trabalhava
muito para sustentar tanta gente. Fazia segurança
particular, tomava conta de parquinhos quando eram
montados no nosso bairro (brincávamos em todos os
brinquedos sem pagar!). Todo esse esforço o
prejudicou, pois veio a falecer muito novo, deixando
uma viúva com 8 filhos pequenos!!! Ela, desesperada,
pela falta que ele fazia e sem nenhum preparo e
condições para enfrentar a vida e criar os filhos,
veio também a falecer um mês depois, deixando 8
crianças órfãs de pai e mãe...
Foi
muito triste, vimos uma família se acabar em muito
pouco tempo. Pensou-se no que fazer para ajudar
àquelas crianças e a única solução foi distribuí-las
nas casas dos parentes. E assim eles foram criados.
Estudaram, alguns começaram a trabalhar muito cedo,
os mais velhos conseguiram alugar uma casinha e
alguns foram morar com eles. Dentre eles, tinha uma
menina muito linda,mulata, já com 16 anos,
trabalhava ajudando numa igreja católica cujo padre
a protegia muito, estudava e morava com uma tia, seu
nome era Jaciara.
Não
era muito de sair, nem de se divertir. Uma ocasião,
a tias a levou pra conhecer o Carnaval de rua de
Salvador, onde ela conheceu um dinamarquês, por nome
Roberto, se encontraram durante o Carnaval, trocaram
endereço ( com muita dificuldade pois ele não falava
uma palavra de português), ele prometeu então que no
outro viria e queria vê-la de novo. Mas que durante
este período de afastamento eles se corresponderiam.
Terminado o Carnaval, ele voltou para a Dinamarca e
as esperanças de Jaciara também acabaram. Não tinha
esperança, nem acreditava que ele iria se lembra
dela e escreveria...
Para
sua surpresa, 10 dias depois, ela recebeu uma
correspondência dele, em inglês!
Não sabíamos nada de inglês, o pouco que sabíamos da
escola não servia, nem nos dava condições de
entender o que ele escrevera, consultamos um
dicionário, mas adiantou muito pouco. Jaciara então
pediu para o padre traduzir pra ela. Na carta ele
mandava dizer que não a esquecera, que ela
aguardasse que em junho ele voltaria ao Brasil,
queria conhecer a família dela e assumir um
compromisso sério com ela.
Foi
uma felicidade, trocavam correspondências toda as
semanas, e o amor se solidificou.
No mês de junho, Roberto (nome dele), voltou ao
Brasil, foi apresentado a toda a família, passou 15
dias aqui, foi uma felicidade muito grande para ela.
Menina pobre, órfã, vivendo de favor na casa de
parentes, agora tinha alguém que verdadeiramente a
amava e se preocupava com ela.
Na
despedida, Roberto, mandou que ela preparasse, todos
os papéis que ele viria em dezembro se casariam e
ele a levaria embora para a Dinamarca.
Foram
meses de ansiedade. a espera era insuportável e o
medo de que ele desistisse também!
Em
dezembro de de 1990, casaram-se. Jaciara foi morar
na Dinamarca, é claro que sofreu muita discriminação
devido a sua cor, com sofrimento e com muita
dificuldade conseguiram superar.
Já se
passaram 13 anos, eles já tem uma filhinha de 10
anos que adora o Brasil. Jaciara estudou, se formou,
montou uma firma de eventos onde o forte é a comida
baiana (brasileira de um modo geral). De dois em
dois anos, passa três meses de férias aqui no
Brasil. Ajudou a todos os seus irmãos e hoje é uma
mulher realizada e feliz.
Foi um
amor de Carnaval que ficou e criou raízes e
permaneceu... |