AS DUAS AMIGAS

E xistia uma pequena cidade cuja rua principal era a rodovia que a cortava no meio. Lá viviam duas amigas. Uma delas, desde mocinha, se exibia para todos os homens e, já adulta, tinha tido relações com todos os homens da cidade. E era só chegar um novo homem na cidade que a primeira coisa que ela fazia era cantá-lo e dar para ele. A outra era muito religiosa, muito séria, e casou-se com o seu primeiro namorado. Com um filho ainda pequeno, o marido morreu. Mesmo jovem, dedicou-se única e exclusivamente ao seu filho e nunca olhava para homem algum.
Na avenida principal existia uma barbearia onde os homens se reuniam à tarde para bater papo e contar piadas. Quando viam a primeira passar na rua, brincavam e diziam que ela era a mulher mais caridosa da cidade, dava para todo o mundo, e falavam isso até com um certo carinho. Quando a segunda passava, eles sempre se admiravam da sua pureza e retidão de caráter, diziam que ela era o exemplo da mulher virtuosa.
Uma tarde, a virtuosa estava passando na rua quando viu um carro se aproximando ao longe. Como tinha recebido o telefonema de um primo que não via há anos que ele iria passar por ali e fazer-lhe uma visita, com um carro igual àquele, pensou que fosse o primo e olhou para o motorista; logo viu que se enganara e seguiu o seu caminho.
Na barbearia, todos os homens ficaram revoltados:
- Vocês viram aquela vagabunda se arreganhando para o primeiro homem que passa na estrada? Essa mulher não tem um pingo de vergonha na cara, é uma depravada!

Quem nunca erra...







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