Ayames das Lembranças

Estrelas voam...
Almas se perdem...
E vagam sobre o rio os vaga-lumes da sorte,
Me chicoteiam as ondas de perfume de Ayames...
Cheiro bom...
O Mesmo perfume eu sentia quando estou nos braços de meu amado...
Lembro-me de quando brincávamos na beirado rio...
A noite estava igual, os vaga-lumes são os mesmos,
Nada mudou desde a última vez que o beijei...
Eu estava com os pés descalços correndo junto aos bambus...
Nada mudou...
Além de que minhas lágrimas não corriam pelo meu rosto naquele dia...

A lua parecia feita de cristal e o céu negro-marinho estava pintado com estrelas que voavam sobre meus olhos...
Seus cabelos castanho-escuro me enlouqueciam...
Parecia que eu iria morrer quando estava em seus braços...
A emoção era tanta que me tonteava e me fazia cambalear...
Estou usando roupas brancas...
A mesma que usava para encontrá-lo...
Naqueles dias felizes...
Eu sabia...
Mesmo me enganando...
E escondendo isso eu sabia que viria aqui...
Apenas para me lembrar de seu sorriso...
E com isso poder chorar sem medo,
Apenas chorar para que nunca mais solte uma lágrima...
Por causa dele...
E é claro que nunca vou esquecê-lo
Jamais em minha vida,
Pois agora a ele já pertence
A metade de minha alma,
E de meu coração solitário...
E as flores com perfume de meu amado,
Para sempre serão chamadas de...
Ayames das Lembranças...

 

 

Giovanna Hoffmann Corsetti
11/12/2003

Nota: Ayame é uma flor japonesa muito conhecida por lá, dizem que seu

perfume é maravilhoso.

Mas é tão forte que

dá até tonturas.

 

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