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Como
pode, o amor, tão grande
Ser visto no incolor minúsculo de uma lágrima?
E como pode estar contido, tão sublime
No abrigo tão escuro e vil de nosso peito?
E sendo invisível, intocável
Como podemos vê-lo e senti-lo num simples abraço?
Não vemos cor
Não temos o sabor
Não sabemos a profundidade, a imensidão
Nem onde começa; ou se acaba
Nem se aquece ou se inflama
Ou se quer por que é em nós
Mas queremos, temos e esquecemos
Andamos amor sem parar
E paramos amor sem andar
Caímos de amor sempre
E levantamos de amor de repente
Choramos de amor e sorrimos amor...
Quem quer que queira amor
Amor que quer quem queira
Seja sol ou seja lua
Seja terra, seja água
Seja cor ou seja flor
Seja sempre amor, amor, amor... |