Saudade

Saudade, um vago olhar estendido à distância
Que se volta ao passado e, nele, fica absorto,
revendo imagens de singular importância,
Grande bem da alma antiga, ainda, não todo morto.
 
Misto de alegre e triste,, embora breve a instancia,
Tanto a envolve o prazer de indizível conforto.
Suave mentira, que se impregna de fragrância,
Nova forma de vida ao que estivera morto.
 
Momento emocional, domina o sentimento
Sobre a razão, trazendo o passado ao presente,
Recompõe, incompleta, a imagem desejada.
 
Qual a felicidade, ela fica um momento,
Depressa, já se vai,, mas nos deixa contente:
-Desejo, apenas, de rever a coisa amada.

 

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Cacha-Prego - jeneiro de 1985

 

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