Prudência

Se quiseres, escuta a voz do coração,

E, atento, saberás o que ele, ao certo, quis.

Mas, não te enganes, ouve a voz mais da razão,

Sempre justa, prudente, amiga no que diz.

 

Razões do coração nem sempre justas, são,

Porque sentimentais, levianas, sutis,

Podem só esconder interesses que vão

Parecer à razão puro motivos pueris.

 

A alma de cada um se mostra presunçosa,

Quando deseja ou quer, sem a outrem perguntar

Se o que vai proceder vale boa ou má ação.

 

tem, pois, cuidado: - a voz do coração dosa,

Bom que possas ouvir ambas, sempre ajuntar

Às razões do consciente, as do teu coração.

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Março - 1969

 

 

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