Premonição

Estranha previsão, em teu comportamento,

Prenunciando o que te vai acontecer,

Como sendo fatal, certo, exato o momento

Do que terá de vir, como haverá de ser,

 

O destino pretraça os fatos, mas o advento,

O instante, a forma não deves, pois conhecer,

Nem poderás fugir a seu forte implemento,

Querendo, achando que não deve acontecer.

 

Não há, pois, fatalismo ou força antecedente,

Que prenuncie o que vai ter marcado fim,

Terminação fatal do que inda vai haver.

 

-Devemos lembrar que somos da vida agentes,

Co-autores, senão responsáveis. Assim,

Temos culpa do que nos vai acontecer

 

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Julho - 1973

 

 

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