Outro dia, fui ver
antigo e velho poço,
Que havia atrás da
casa, ali, abandonado,
Faz tantos anos,
sem trato. Inda eu era moço,
Sua água fresca,
bebia, à farta e sem cuidado.
Vi-o, coberto de
mato e sob a água turva, ouço,
um fervilhar
estranho, algo que, sussurrado,
Parecia uma queixa
ou protesto, esboço,
de revolta, por já
não ser mais procurado.
Certas pessoas são
como esse poço escuro,
Têm, na alma, o
desespero, o ódio, lamentações,
Vivem a protestar,
queixam-se de abandono.
Bem não sei qual
melhor, se deixá-las no duro
Esquecimento ou
dar-lhes paz aos corações:
- O sofrimento
mostra a verdade ao seu dono.
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