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Comparemos a vida a uma curva extensa,
Ora, em lenta ascensão; ora, em descida abrupta,
Que, a uns, parece estrada aberta, a outra, densa,
Mas cujo final, não vemos nem se prescuta.
Suba-se curva atento, até quando se vença
O
perigo iminente, e o ouvido não escuta,
Com apuro, cuidado, a devida licença,
Algum ruído, sinal, segurança, absoluta.
Tenhas ouvido ou não, ao fim hás de chegar,
Pesar dos desencantos ante o não ter achado
O
que mais procurara, o que a sorte prometera.
Então, te restará, conformado, aceitar
Essa amarga lição que a vida tem mostrado
-Nunca a realidade atende ao que devera.
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