Trovas, canto de
Saudade
De alma, ora, sofrida,
Nênia da felicidade,
Longamente, bem vivida.
Angel, o seu belo nome,
Que eu chamava com carinho,
Quando a saudade me tome,
Murmuro-o em tom baixinho.
Ontem, teu aniversário,
Hoje estás na sepultura,
Como o destino é vário,
Capricho da conjuntura.
A mim, tua sepultura
Passou a ser um altar,
Nela, rezo com ternura,
Minha oração tumular.
Vi-A, morta estendida
Em seu leito mortuário,
Parecia-me estar vestida
Para entrar em santuário.
Estava, ali, minha santa
Esposa, amiga, companheira,
Coberta de flores, tanta,
Deu-me amor a vida inteira.
Canção de amor mui sentida,
Eterna saudade Dela,
Agora, enche-me a vida
Vendo-lhe a imagem bela.
Grata ilusão me consola
Traz-me, algo que me engana,
Aceito, qual fosse esmola,
Graça que do céu dimana.
vejo sua Imagem linda,
belos olhos me fitando,
Diz-me que me ama ainda,
E não quer ver-me chorando.
Grande e poderoso o Amor,
No milagre da Saudade,
revive, com idêntico calor,
O que lhe deu felicidade.
Grande poder da Saudade
Me faz vê-La, estando morta,
Uma fugaz felicidade,
Que me consola e conforta.
Vida, porção de contrastes,
Com ou sem razão de ser,
Embora os não provocastes,
Vieram te acontecer.
A morte, apenas transforma
O que se dá à sepultura,
Do amor respeita a norma,
Deixa-o na mesma altura.
Foi-me a Estrela da Paz,
Nome de Amor puro,
No céu, onde, agora estás
Zela pelo meu futuro.