Árvore velha

Essa árvore tão velha e sem sombra cativa,

Galhos secos, perdida a folhagem, sem fruto,

Abandonada e triste e sem nenhum conviva,

Já foi da Natureza admirável produto.

 

Quem a viu, no passado, imponente e altiva,

Rica de seiva, a sombra espessa, no absoluto

Domínio do caminho, ora, vê-la pensativa,

Com o aspecto de dor de quem tem a alma em luto.

 

Ontem, símbolo foi de grandeza, servia

De remansoso abrigo, a que tinha guarida

O cansado viajor, de longe ou perto, vindo.

 

Hoje, a fronde perdeu, ninguém mais a aprecia.

- A velha árvore, ali, ficará esquecida,

Até que o tempo vá, aos poucos consumindo...

 

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Do livro "MUSA TARDIA - Sonetos e Trovas (1980)
Brotas de Macaúbas (Ba), outubro de 1928

 

 

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