Em caixa de papel,
sem flores, foi deixado,
Lívido, corpo
frio, ao total abandono,
Um pobre anjinho,
que não fora despertado
Para a vida, de
que devera ser o dono.
Nem os olhos
abrira à luz, teve-os cerrados,
Sequer, pôde
sentir da vida um leve tono,
Tão logo, pela
morte iníqua, foi levado
Às regiões do
ignoto, em sempiterno sono.
Morreu, sem ter
sorvido um bom hausto da vida,
Gozado, um só
momento, a beleza do mundo,
Visto o azul do
céu, da natureza a festa.
Não creio possa
ser justa a pena sofrida,
Que não o fez
viver, ao menos, um segundo:
-Exata explicação,
somente a ciência atesta.
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