Andorinhas no céu

Passa, por sobre mim, no azul do céu, voejando,

Ágil, lépido, um bando alegre de andorinhas,

Acompanho-o, a vista, atenta se alongando,

Vendo o rumo a que vai, o lugar de onde vinha.

 

No espaço, caprichoso, as curvas vai traçando,

Mais que a vista acompanhe o vôo, não adivinha

Que procura no céu, não está achando:

-Fico, assim, admirando o vôo das andorinhas.

 

Nossos sonhos são quais andorinhas ligeiras,

Partem de nós, alguns perdem-se em devaneio,

Outros, em nossa mente, ainda aprisionados.

 

As andorinhas são fugaces, viajeiras:

-Nossos sonhos, porém, deixam-nos certo anseio

E, vida afora, por eles, somos levados.

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Cacha-Prego - maio de 1985

 

 

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