A morte do cajueiro

Ao caminho da fonte, há tempo, abandonado,

Sozinho, o cajueiro antigo está murchando...

Não mais tem o verdor alegre do passado,

As flores, frutos, sombra, o tempo está levando...

 

Nada lhe vai restar. teve o tronco lascado,

Foram-se as folhas. sem vida, os galhos secando...

Lágrimas de resina escorrem. resignado,

O velho cajueiro agoniza, murchando...

 

A última raiz partiu-se. Ele estremece,

Oscila, pende e cai, sem sequer um gemido.

Grossa e espessa resina escura dele escorre...

 

No espaço, ouve-se breve e estranho tom de prece,

Que parece sair do tronco ao chão caído...

Há silêncio profundo. O cajueiro morre.

 

Raymundo Nonato de Almeida Gouveia

Brotas de Macaúbas, 2 de setembro de 1928

 

 

 Menu

"Cantinho dos Poetas"