Mascarada

Quando eu sinto vontade de chorar, sorrio
Rio tanto que o pranto se esconde e ninguém o vê
Sorrio da minha tristeza e até de mim mesma
Rio para enganar a alma, que só chora.

Sorrio quando estou triste, alegre ou indiferente
Pouco importa o motivo
O silêncio espalhado dentro de mim
É suficiente para que eu ouça minhas gargalhadas

De tudo em mim acho engraçado
De cada traço bem marcado até o cabelo entrançado
Sorrio de cada pedacinho meu
E rio até não mais agüentar

Preciso esquecer, e de outra maneira, não dá
É muito mais complicado
As vezes, tenho tremenda crise de riso, e isso
Nem eu sei explicar porque

Rio quando tropeço em alguma coisa
Quando ando ou fico parada
Se chego no trabalho atrasada
Ou quando fico atrapalhada

Rio tanto e por tanto tempo
que sorrio mesmo sozinha... por nada!
Só não rio à noitinha quando retiro a máscara
E abraçada ao travesseiro, exausta de tanto dar risada
Desmancho-me numa explosão... de lágrimas!

 

 

Laura Limeira

Recife, 31.08.2002 - 02:38H

LauraLimeira@aol.com

 

 Menu

"Cantinho dos Poetas"