Cigana da vida

Saia rodada, florida, babados franzidos
Blusa vermelha, mangas que esvoaçam
Em ondas de gestos, puro bailado
Orelhas com argolas, e pulseira no tornozelo
Colares que o pescoço enlaça

Acampamento vira vulcão
Na dança que contagia
Com sabor de sedução, utopia
Volúpia, charme, paixão
Destino de muitas magias

Entre os dentes, uma flor
Pés descalços, caminham
Meu olhar de lince
Traduz convite ao amor
Felina, sou inteira fetiche

Danço, deslizo, flutuo
Ao sabor do vento, do sol, da chuva
À noite, sob as estrelas
Sou lua, lumiando mata virgem

Sou livre, liberdade sou
Absoluta dona de mim
Lábios de puro carmim
Cabelos trançados, enfim
Com fitas de puro cetim

Deito-me à descansar, em êxtase
E deixo-me levitar, sobre a grama
No céu, luzes multicores à piscar
Enlevam minh'alma à sonhar
Iluminando-me, como chama

A claridade da fogueira em brasa
E o violino que toca a mais bela canção
Faz-me levantar meus olhares ao céu
E enquanto eleva-me até Santa Sara Kali
Guia-me no destino das minhas duas mãos!

Laura Limeira

Recife, 29.09.2004 - 03:17H

LauraLimeira@aol.com

 

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