Anos verdes

Suave, linda, feliz...
Fruto d'um grande amor
Assim eu fui, ainda muito jovem
Delicada que nem beija-flor
 
Meus "anos verdes" passaram
Deixando aparentes rugas
Nesse rosto antes tão belo
De expressão serena e desnuda
 
Agora, frente ao horizonte, somente sinto saudades
De quando a sonhar ficava, encantada com o arrebol
Daquelas tardes tão tranqüilas
Ante o belíssimo adormecer do sol
 
Hoje, mudanças houve...eu confesso
Mas apenas na minha aparência
Pois guardo ainda no interior do meu íntimo
A antiga pureza da minha única essência
 
Meu ontem foi de aragem, adubação, plantio
Hoje, realizo colheitas sob o vento em rodopio
Em mim, terra molhada, semeada, germinada
De frutos fertilizados pelo néctar do meu cio!


 

Laura Limeira

Recife, 07.08.2005 - 05:25H
LauraLimeira@aol.com

 

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