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Depois de tantos anos, lembrei-me
da surpresa inesperada que tive naquele Natal de 1977.
Estava grávida de meu segundo filho, tinha exatamente 27 anos, formada
em Letras pela Universidade Federal da Bahia, e contratada pelo Estado.
Como é comum nos Natais, organizamos a Ceia e o Amigo Secreto em meio a
muita animação. Moramos quase que em uma Vila que hoje chamamos de Vila
Mamede, onde praticamente quase toda a família reside, com exceção de
minha irmã Nadja e meu irmão mais velho Manoel ,que optou por uma vida
mais saudável e simples num interior próximo a praia chamado Valença,
entretanto nessa época, com exceção da Nadja, ainda morávamos todos aqui
na Vila Mamede.
Organizamos a nossa ceia, o nosso Amigo Secreto, o que cada um iria
levar para cooperar para a ceia, enfim já tínhamos tudo praticamente
organizado.
Na época, meu marido viajava e só estava em casa nos finais de semana,
então aproveitei para dar os retoques finais na casa. Com sempre fui
curiosa e acompanhei de perto mainha fazendo de tudo em casa, herdei
dela essa curiosidade e essa vontade, nunca esperei que fizessem as
coisas para mim e por mim.
Como estava sem trabalhar, resolvi pintar a porta da minha casa, comecei
dois antes, e na véspera de Natal levantei cedinho para terminar o
serviço enquanto aguardava o meu marido chegar de viagem, então
comecei a sentir as cólicas. Na verdade, o meu obstetra havia
previsto o meu parto ( que seria normal), mais ou menos para depois de
15 de janeiro, mas eu estava muito preocupada pois havia tomado uma
queda há mais ou menos 10 dias atrás.
Pouco tempo depois meu marido chegou e as cólicas também pioraram, nesse
momento foi que tomei consciência que estava em pleno trabalho de
parto!!!
Nossa! Não queria que isso acontecesse! Logo na véspera de Natal? Depois
de tudo organizado e arrumado, uma festança...e eu em trabalho de
parto?!
Resisti ao máximo, falei que era uma cólica sem maiores conseqüências,
mas não houve jeito, tive que ser levada às pressas para o hospital onde
cheguei às 11 horas e meu filho nas ceu às 12 horas.
Fiquei muito chateada de estar no hospital. Enquanto todos estavam se
divertindo na nossa "Vila" ,eu, num quarto de hospital curtindo um
Natal quase que solitário...
Depois de algum tempo é que atentei para o meu egoísmo, afinal de
contas, de todos, eu era quem tinha ganhado o melhor e o mais lindo
presente de Natal...o meu filho.
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