Chegou a temperada de abraços                       

                               Maria de Ângelo

 

 

Fim de ano! Garanto que há muita gente, além de mim, que detesta essa temporada As causas são várias , mas todas relevantes Começa uma espécie de lavagem cerebral para que todos saiam às compras. Comprar e presentear mesmo um estranho, prestação de contas do ano que findou e todos devem estar bem felizes porque é Natal, é Ano Novo.
Confesso que não aprecio esse dever com dia e hora marcados. Quero ser feliz sim, mas quando der, porque sabemos que nem sempre dá. Quero abraçar meus amigos todos os dias e desejar a eles o que desejo para mim mesma.Passei a ter ojeriza a esses amigos secretos, à cobrança de rir até fingidamente só porque é tempo de ser feliz.
Acho que vou hibernar até janeiro para não ter de cozinhar comida demais para jogar fora, fazer um peru para enfeitar a mesa, comer demais porque é dia de festa. E nem comprar presentes que nem sempre agradam, pois como são muitos,nem sempre são o que os outros esperam.
Nem enfeites vou colocar na casa. Se tenho algum sentimento religioso, fica entre mim e Deus. Nada de mandar cartão de boas festas. Com a Internet mando minhas palavras o ano todo e recebo coisinhas lindas que ficam escondidas nos sites, que só meus amigos encontram.
Comecei a esvaziar meus armários, doando tudo o que tenho demais, mesmo gostando da peça. Não quero dar lixo a ninguém. . Em poucos dias vou fazer uma faxina no meu cérebro e tirar de lá para sempre a repugnância que consegui sentir por certos seres que se dizem humanos.
Não faço isto por ser fim de ano, faço sempre que tenho tempo e disposição e tentar eliminar da mente a escória humana é um exercício diário porque o mundo está cheio de projetos de gente que não deram certo.
Sou durona e não perdôo fácil.Sou humana e ando perdoando demais, principalmente os covardes e mentirosos. .Eles não sabem o que fazem!
Esta temporada de abraços que está chegando não precisa contar comigo. Não vou gastar papel, saliva e tempo para dizer coisas que posso nem estar sentindo. Não vou encher meu peito de bondade para durar uma estação.
E afinal de contas, tudo isso é injusto, cruel e desumano. As desigualdades sociais parecem se avivar nesta época que ora se inicia e todos querem pagar seus pecados dando esmolas Depois, toca a pecar, já que haverá um tempo no calendário para pagar de novo.
Nos dias difíceis de hoje, sabem quem faz o verdadeiro natal contínuo? Não são aqueles que se escondem atrás de seus doublês de corpo e vivem na contravenção; são aqueles que mostram a cara e dão os tão sonhados empregos, que sempre foram o melhor presente para o homem bem intencionado. Quem tem seu salário, faz seu natal quando quiser.
A única exceção que abro agora e que faço com o maior prazer é mandar um abraço sincero a todos os empresários que fazem todo final de mês o milagre da multiplicação dos pães.

 

 

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