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Esta arma aniquila qualquer
organização social, por mais bem ajustada que possa ser. Ela surge
nos ambientes de improviso. Não se sabe de onde ela vem e nunca tem
paternidade. Oficialmente não existe. Sua trincheira de luta é
sempre a clandestinidade.
Quando ataca, fere, agride, desanima e destrói. Nenhum grupo social
está livre da fofoca. E quando ela medra dificilmente será extinta
porque quando as providências combativas chegam, ela já fez o
estrago que queria...
Quem administra necessita ter suas antenas vigilantes para flagrar
as fofocas em suas origens, a fim de não dar chance de avanço.
É incrível, mas o ser humano está sempre pronto para cuidar da vida
alheia. Este foi um vício que foi institucionalizado, pois até as
nações já estão fofocando.
Uma historinha sobre fofoca: Numa cidade do interior Lourenço
encontrou um dirigente espírita, homem ilibado, trabalhador e muito
querido. Todo mundo queria ouvi-lo um pouco mais e como no centro
espírita isso era impossível, as pessoas se propunham avistá-lo em
sua residência. Ao que, ele diz:
- Isso mesmo passe lá em casa!
Tomaremos um cafezinho e falaremos mal dos outros.
Lourenço ficou preocupado e quis saber do cidadão o porquê dessa
resposta e o dirigente completou:
- Olha meu filho, o maior perigo que a humanidade enfrenta é o
exercício da língua. A língua é um instrumento perigosíssimo, quando
mal aplicado. Deus, conhecendo os perigos da língua, encerrou-a numa
caverna (a boca) e colocou uma grade (os dentes). O homem, no
entanto, ignora tudo isso e, ante qualquer deslize de seu
semelhante, libera a língua e censura o infeliz, sem dó, induzindo
as pessoas a fofocarem comigo, fico mais tranqüilo, porque as
fofocas que ouço terminam em mim e não vão causar à frente
desgostos, terríveis crises, inimizades e quem sabe até crimes...
Arrematando este breve comentário encaixo antiqüíssimo provérbio
chinês que diz:
“Antes de colocar a língua em movimento verifique se a mente está
engrenada”... |