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A palavra caridade significa, originalmente, amor a Deus e ao próximo.
Ao longo do tempo terminou por ser identificada com a esmola, numa visão restritiva, partilhada, ainda, por expressivo número de pessoas para as quais praticá-la significa oferecer roupas, gêneros e dinheiro a indivíduos carentes ou instituições assistenciais.
A dádiva material, que atenua momentaneamente a necessidade, será sempre respeitável, sem esquecermos as inúmeras outras formas em que o amor pode expressar-se no socorro aos semelhantes: compreensão, perdão, incentivo... também ouvir com paciência e simpatia um companheiro angustiado, a oração intercessória... a lista é realmente longa.
A Doutrina Espírita veio mostrar outro ângulo da questão, esclarecendo que todos, sem exceção, possuímos amigos e protetores na Espiritualidade, que nos acompanham desveladamente, tudo fazendo para auxiliar-nos no enfrentamento de problemas bem como na superação de nossas deficiências. Quando nos dispomos a ajudar alguém, ligamo-nos, naturalmente, a esse esquema de proteção que, na verdade, decorre das próprias Leis Divinas, beneficiando-nos imediatamente da sintonia com as forças que governam a vida, fomentando, em toda a parte, a paz, o equilíbrio e o progresso, numa palavra, a felicidade.
Preocuparam-se também os Benfeitores Espirituais em nos orientar quanto à forma adequada, correta, de realizarmos essa tarefa, lembrando o respeito à consciência e à pessoa do beneficiado que não deve, sob nenhum pretexto, ser forçado a aceitar nossos pontos de vista ou ter sua necessidade exposta em função do auxílio recebido. Devemos, igualmente, considerá-lo dispensado de quaisquer manifestações de reconhecimento, cuidando, ainda, e sempre que possível, para que nossa ajuda o leve a superar definitivamente a situação
de dependência, capacitando-o a resolver por si mesmo os seus problemas.
Embora utilizasse em situações especiais o pleno controle que possuía sobre D.Villela os elementos materiais, transformando água em vinho ou multiplicando o alimento para a multidão, Jesus não fez, habitualmente, doações materiais, distribuindo, no entanto, generosamente, valiosos bens espirituais que mudaram definitivamente as vidas de quantos lhe aceitaram a oferta sublime. Na verdade, preocupava-se o Mestre em sanar a carência espiritual, causadora de todas as demais formas de carência,sem dúvida, a caridade em sua feição
mais completa.
Apesar de nossas limitações, dispomos, desde já, de possibilidades concretas de ação fraterna no restabelecimento da fé, do ânimo e da esperança naqueles que seguem conosco vergados ao peso de dificuldades e dores.
Utilizando-as estaremos nos habituando -num processo de auto-educação - à sintonia com o bem, que significa sempre paz e alegria em nossos corações e o acesso a oportunidades ainda mais amplas de praticá-lo.
"O Evangelho segundo o Espiritismo" (capítulo 13, item 9).
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