Chico ama as
crianças.
Diariamente
quase mil sopas são servidas aos menores. Quando chega a hora da
sopa as crianças aparecem correndo de toda a parte, grandes e
pequenos. Vêm sujas, rasgadas, pobrezinhas e se sentam à mesa
tosca onde mulheres cheias de amor, em grande caldeirões lhes
servem a sopa quente nos pratos limpos. Alguns mendigos também se
sentam à mesa e alguns adultos que acompanham algumas crianças
também comem. Os visitantes, que não precisam, também se sentem
tentados a comer. É uma grande alegria. As crianças, muitas
delas esfomeadas, repetem o prato mais de uma vez e há os que
escondidamente enchem uma lata que trazem para levar aos irmãozinhos
e a família, que ficam em casa. Essa é uma obra extraordinária
de amor ao próximo. Chico vem conversar com elas, faz-lhe carinho
e esclarece os visitantes, que o enchem de perguntas. As panelas
brilham e a cozinha ao lado da coberta onde se abrigam os
comensais está sempre movimentada. Todos nós nos sentimos ali
como se estivéssemos em nossa própria casa e recebemos aquele
calor de solidariedade humana.
O ambiente é
o mesmo na Casa do Caminho, da Comunidade Cristã de Jerusalém.
Os bancos simples e a pobreza recordam os primeiros tempos do
Cristianismo e a vida dos Apóstolos.
As crianças são como pássaros, os pássaros de Deus que vêm comer felizes nas mãos do Santo."
Trechos do livro "Recordações de Chico Xavier" de R. A. Raniere