Um sonho apenas

Eu quisera ser

Uma paineira robusta e farta,

De flores cor-de-rosa,

Dando um toque de amor

Ao verde-esperança

De todos os campos...

 

Quisera ser a flor aberta

No algodoal,

Dando um toque de paz

Às margens dos córregos

E das fontes

Cujas águas correm borbulhantes...

 

Quisera ser a palmeira altiva

Desafiando o vento que sopra

Sobre os montes...

 

Quisera ser a ave que canta

Ao alvorecer,

E pia amorosa, chamando o companheiro

Para o aconchego do ninho,

A cada entardecer...

 

Ah! como eu gostaria de ser,

(Oh! como) um rebento puro

Da Natureza que, silenciosamente, cresce

E, silenciosamente, louva o Pai

Em prece agradecida

Pela bênção da Vida!

 

A semente escondida...

A flor que se entreabre

Sem que ninguém perceba...

O trigo que triturado,

Não chora, não reclama,

Mas se converte em pão...

A fruta que madura, sacia a fome

De quem a arranca do galho

Que é seu berço,

Sem mágoas, sem acusação,

Pronta para renascer da semente

Que ficou esquecida sobre o chão...

 

Eu quisera penetrar o coração

Da Terra.

Descobrir seus segredos

De Jovem pura, ou ouvir

Sua voz, seus cantos, seus penares,

Suas vivências milenarares

A servir e a servir...

 

Ah! Terra Mãe!

Volto hoje, só para louvar-te!

Ah! Natureza amorável!

Quisera poder enfeitar-te

Com as cores dos meus sonhos

Que foram ficando atrás...

Sê bendita! Escrínio de meus amores,

Refúgio de minha paz!

Chão que és

Repouso para meus pés,

Céu que és luz

Para meus olhos!

Chão de barro, falando de meu corpo,

Céu de anil, falando de minha alma,

Eterna, redimida!

Bênçãos que sois de Deus,

Eternizando a Vida!

 

Chão de barro,

Céu de anil!

Corpo e alma

De meu doce Torrão

Meu amado Brasil!

Lino de Oliveira 

Sacramento, 24 de abril de 1991.

Retirada do livro "Evangelho em Prosa e Verso"

Lar de Tereza - Rio de Janeiro


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